Prioridades 

Eu tava numa tristeza

Daquelas de dar gosto:

O corpo estatelado

E mais de dez mil lágrimas

Descendo pelo rosto

 

Perde água aqui

Bebe água ali

E eis que veio uma vontade

(Imensa e inevitável!)

De fazer xixi

 

Porta, banheiro

Patati, patatá

E na hora da descarga

(Surpresa na parede!)

A danada estava lá

 

Sim, era ela:

Uma barata GIGANTE

Com antenas afiadas

(Possivelmente asas)

E uma presença alucinante

 

Comecei a gritar

Corri, peguei o Baygon

E de arma em punho

Mirei na maldita

Explodindo de medo e tensão

 

Em poucos segundos, ela se foi

E só eu sei o horror

De vê-la estrebuchar:

Seu corpinho indefeso no chão frio

E as perninhas pra cima, balançando no ar

 

Apesar da culpa, respirei aliviada

E foi então que percebi

(Ainda eletrizada)

Que do meu mar de melancolia

Não restara nem uma gota… Nada

 

O desespero e a agonia

Do encontro com aquela barata

Me injetaram uma energia

Como se me forçassem à vida

Com um soco, uma rasteira, uma gravata

 

A barata me fez despertar

Para um novo estado de consciência

Porque eu poderia apenas concluir:

“Foi a adrenalina… Tá comprovado pela Ciência!”

Mas conversando com uma amiga

Senti que me foi revelada a grande verdade:

O que sentimos ou deixamos de sentir

É uma questão de prioridades!

 

 

 

 

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